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BR - PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. A??O CIVIL P?BLICA. TOMBAMENTO PROVIS?RIO. EQUIPARA??O AO DEFINITIVO. EFIC?CIA.

 

RECURSO ESPECIAL Nº 753.534 - MT (2005/0086165-8) (f)

RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA

RECORRENTE : INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO

NACIONAL - IPHAN

PROCURADOR : MARIA JUSCILENE DE LIMA CAMPOS E OUTRO(S)

RECORRIDO : SEBASTIÃO DA SILVA GREGÓRIO

ADVOGADO : SEBASTIÃO DA SILVA GREGÓRIO (EM CAUSA PRÓPRIA)

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO MEIRA (Relator):

especial fundado na alínea "a" do permissivo constitucional e interposto contra acórdão proferido

pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado:

Cuida-se de recurso

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.

TOMBAMENTO. ATO COMPLEXO. DEMOLIÇÃO DE CONSTRUÇÃO ANTERIOR À

HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA

CONTRA O AUTOR. DESCABIMENTO.

1. O artigo 9º do Decreto-lei nº 25/37 dispõe que somente o ato formal de

tombamento inscrito no livro próprio do Poder Público competente estabelece a afetação.

Sendo assim a mera publicação do edital de tombamento não basta para a produção dos

efeitos do tombamento, que só se torna ato perfeito a partir da homologação.

2. Por todas as provas e documentos carreados aos autos, resta inequívoco que na

data da homologação não mais existia um prédio de valor histórico, e sim o prédio de

características modernas que se pretende demolir com a presente ação.

3. Na ação civil pública, salvo comprovada má-fé, não há condenação do autor a

pagar honorários de sucumbência, nos termos do art.18, da Lei nº 7347/85.

4. Recurso improvido. Remessa oficial parcialmente provida (fl. 410).

O ora recorrente alega que o acórdão questionado desrespeitou o disposto nos arts. 10,

17 e 18 do Decreto-Lei nº 25/37, porquanto a partir da publicação do tombamento provisório e do

transcurso do respectivo prazo para impugnação estaria estabelecida sua eficácia e também dos

efeitos de restrição sobre os imóveis circunscritos nos limites daquela área.

Sem contrarrazões (fl. 446-verso).

Admitido o recurso especial na origem (fls. 448-451).

O Ministério Público, em parecer subscrito pelo ilustre Subprocurador-Geral da

República Dr. Fernando H. O. de Macedo, opina pelo não conhecimento do recurso ou, se

conhecido, pelo seu não provimento (fls. 456-458).

É o relatório.

RECURSO ESPECIAL Nº 753.534 - MT (2005/0086165-8) (f)

EMENTA

PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.

TOMBAMENTO PROVISÓRIO. EQUIPARAÇÃO AO DEFINITIVO. EFICÁCIA.

1. O ato de tombamento, seja ele provisório ou definitivo, tem por finalidade

preservar o bem identificado como de valor cultural, contrapondo-se, inclusive, aos

interesses da propriedade privada, não só limitando o exercício dos direitos inerentes ao

bem, mas também obrigando o proprietário às medidas necessárias à sua conservação. O

tombamento provisório, portanto, possui caráter preventivo e assemelha-se ao definitivo

quanto às limitações incidentes sobre a utilização do bem tutelado, nos termos do

parágrafo único do art. 10 do Decreto-Lei nº 25/37.

2. O valor cultural pertencente ao bem é anterior ao próprio tombamento. A

diferença é que, não existindo qualquer ato do Poder Público formalizando a necessidade

de protegê-lo, descaberia responsabilizar o particular pela não conservação do

patrimônio. O tombamento provisório, portanto, serve justamente como um

reconhecimento público da valoração inerente ao bem.

3. As coisas tombadas não poderão, nos termos do art. 17 do Decreto-Lei nº

25/37, ser destruídas, demolidas ou mutiladas. O descumprimento do aludido preceito

legal enseja, via de regra, o dever de restituir a coisa ao

Excepcionalmente, sendo manifestamente inviável o restabelecimento do bem ao seu

formato original, autoriza-se a conversão da obrigação em perdas e danos.

4. À reforma do aresto recorrido deve seguir-se à devolução dos autos ao

Tribunal

exame da apelação do IPHAN e aplique o direito consoante o seu convencimento, com a

análise das alegações das partes e das provas existentes.

5. Recurso especial provido em parte.

status quo ante . a quo  para que, respeitados os parâmetros jurídicos ora estipulados, prossiga o

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO MEIRA (Relator):

o IPHAN aponta violação dos arts. 10, 17 e 18, do Decreto-Lei 25/37, que assim preconizam:

Como consta do relatório,

Art. 10. O tombamento dos bens, a que se refere o art. 6º desta lei, será

considerado provisório ou definitivo, conforme esteja o respectivo processo iniciado pela

notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no competente Livro do Tombo.

Parágrafo único. Para todas os efeitos, salvo a disposição do art. 13 desta lei, o

tombamento provisório se equiparará ao definitivo.

Art. 17. As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum ser destruidas,

demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio

Histórico e Artistico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de

cincoenta por cento do dano causado.

Parágrafo único. Tratando-se de bens pertencentes á União, aos Estados ou aos

municípios, a autoridade responsável pela infração do presente artigo incorrerá

pessoalmente na multa.

Art. 18. Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico

Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça

ou reduza a visibílidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada

destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se nêste caso a multa de cincoenta por cento do

valor do mesmo objeto.

Nada obstante a Corte de origem não tenha emitido juízo de valor sobre as normas

veiculadas nos arts. 17 e 18 do DL nº 25/37, é certo que se deteve na análise do questionamento

quanto à existência ou não de diferença entre os efeitos do tombamento provisório e do definitivo, o

que configura o prequestionamento ? ainda que o dispositivo legal em referência não tenha sido

expressamente citado ? e autoriza a análise da arguição de ofensa ao art. 10 do mesmo diploma

legal, notadamente seu parágrafo único.

Para melhor elucidação, transcrevo a íntegra do voto condutor do aresto questionado,

com destaque para o trecho em que induvidosamente a matéria controversa recebeu carga decisória

pelo Tribunal

a quo :

O tombamento, ao limitar aspectos do direito de propriedade, serve de instrumento

útil à preservação do patrimônio histórico nacional. Por outro lado, para que o tombamento

seja legítimo e possa produzir seus efeitos, deve obedecer a um processo próprio, específico,

individualizado, com ampla defesa dos proprietários.

O artigo 9º do Decreto-lei nº 25/37 dispõe que somente o ato formal de

tombamento inscrito no livro próprio do Poder Público competente estabelece a afetação.

Sendo assim a mera publicação do edital de tombamento não basta para a produção

dos efeitos do tombamento, que só se torna ato perfeito a partir da homologação.

Esse é o entendimento firmado nesta Corte:

ADMINISTRATIVO. TOMBAMENTO .

1.O tombamento constitui ato complexo que, como bem sabido,

caracteriza-se pela manifestação sucessiva de dois ou mais órgãos da

administração, quer singular, quer coletivo.

2. O ato de tombamento só se completa com o ato de homologação e não

retira ele do particular a sua propriedade, mas tão-só, no interesse do bem cultural

a ser preservado, limita o seu uso, sob determinados aspectos como, por exemplo,

demolição ou modificação de fachada.

3. É o tombamento a intervenção do Estado no domínio da propriedade

privada, frize-se, tão-só para preservá-la no interesse, por exemplo, histórico,

artístico ou paisagístico.

4. Apelação e remessa providas, para julgar extinto o processo sem

julgamento do mérito, com base no art. 267, VI, do CPC. Custas pela apelada e

verba honorária de 10% sobre o valor atualizado da causa. (TRF1 AC

94.01.07553-0 /PA ; Relator JUIZ CARLOS FERNANDO MATHIAS;

SEGUNDA TURMA ; DJ 21 /08 /1997).

Pois bem. O documento de fl.28, juntado à petição inicial, não deixa dúvidas que a

homologação do tombamento ocorreu em 04 de novembro de 1992. Desse modo, é a partir

dessa data que o imóvel sofreu a restrição, não podendo mais proceder, sem autorização do

IPHAN, a qualquer intervenção física, salvo obras de conservação.

Por todas as provas e documentos carreados aos autos, resta inequívoco que em

1992 não existia mais um prédio de valor histórico, e sim o prédio de características

modernas que se pretende demolir com a presente ação.

Destarte, não procede a alegação de que, em desobediência ao tombamento do

Centro Histórico de Cuiabá/MT, o Réu/Apelado demoliu prédio histórico, criando nova

estrutura e descaracterizando a forma original que se queria preservar.

No que se refere à remessa oficial, vê-se que a sentença encontra-se equivocada na

parte em que condenou o Autor a pagar ao Réu honorários de sucumbência, vez que, no

caso, salvo comprovada má-fé, que no caso não se cogitou nem se configurou, tais

honorários são indevidos, nos termos do art.18, da Lei nº 7347/85.

Pelo exposto, nego provimento à apelação e dou parcial provimento à remessa

oficial apenas para o fim de excluir da condenação a parcela alusiva a honorários de

advogado (fls. 401-402).

Superada a etapa do conhecimento, passo ao mérito da discussão.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN ajuizou ação civil

pública contra proprietário de imóvel localizado no Centro Histórico de Cuiabá/MT, buscando a

demolição e reconstrução do bem aviltado.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região considerou regular demolição de bem

imóvel, ao fundamento de que somente o ato formal de tombamento inscrito no livro próprio do

Poder Público competente e concretizado pela homologação realizada em 04.11.1992, é que

estabeleceu a afetação do bem, impondo, a partir daí, as restrições ao patrimônio do particular.

No presente recurso, insurge-se o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

- IPHAN argumentando que o tombamento provisório tem o mesmo efeito de proteção que a

restrição cabível ao definitivo.

Sustenta que, independentemente da situação do imóvel, a realização de reformas

naquele bem, após o tombamento, necessita de autorização da entidade responsável pela

preservação do patrimônio histórico. Acrescenta que a execução da obra impugnada agride a

ambiência, harmonia e volumetria do Centro Histórico de Cuiabá/MT.

A controvérsia para deslinde diz respeito à eficácia do tombamento provisório.

Nesse ponto, uma interpretação sistemática das normas sobre o tombamento conduz à

procedência da irresignação.

Com efeito, há precedente desta Corte (Recurso Ordinário em Mandado de Segurança

nº 8.252/SP, Ministra Laurita Vaz, publicado no DJ de 24.2.2003, p. 215), que adequadamente

analisa os efeitos do tombamento provisório. Dele destaco a seguinte passagem do voto condutor:

O ato de tombamento definitivo deve observar, para a sua realização e

concretização, os requisitos formais do Decreto-Lei n.º 25/1937 e as características relativas

ao bem a ser tombado.

Inicia-se por deliberação do órgão competente (art. 9.º, do Decreto-Lei n.º

25/1937), e deve realizar, antes de seu decreto final, uma fase de investigação onde peritos

procederão à identificação, descrição e classificação do bem, segundo suas características,

de acordo com a legislação de proteção cultural.

Esta fase investigativa e técnica é lenta e complexa, podendo a sua conclusão

demorar meses, porquanto não está sujeita a prazo legal. Sucede, todavia, que durante esse

lapso temporal, o proprietário do bem pode danificá-lo ou descaracterizá-lo, no intuito de

impedir o seu tombamento.

Ciente da possibilidade de ocorrência desta conduta deliberada e, também,

desesperada que poderá o proprietário do bem a ser tombado vir a cometer, o legislador

criou, como forma impeditiva desta, a figura do tombamento provisório.

Trata-se, portanto, de medida precária e acautelatória de preservação de bem até a

conclusão dos pareces técnicos e da inscrição deste no livro de tombo.

Aliás, é essa a conclusão disposta no art. 10 do Decreto n.º 25/1937, que institui a

figura do tombamento definitivo e provisório, igualando-os quanto à sua eficácia

?Art. 10. O tombamento dos bens, a que se refere o art. 6.º desta lei, será

considerado provisório ou definitivo, conforme esteja o respectivo processo

iniciado pela notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no

competente Livro do Tombo.

Parágrafo único. Para todos os efeitos, salvo a disposição do art. 13 desta

lei,

, in verbis : o tombamento provisório se equiparará ao definitivo  .?

Nesse particular, cumpre trazer a colação a tese desenvolvida pelo professor

FERREIRA DE FARIA, em sua obra Curso de Direito Administrativo Positivo, que de

forma esclarecedora interpreta o retromencionado dispositivo legal:

?O tombamento provisório, sendo equiparado ao definitivo, acarreta à

Administração o dever de preservar e conservar o bem tombado, impondo e

fazendo cumprir sanções próprias nos casos de danos provocados, mesmo por

terceiros. ?

Sendo assim, conclui-se que o instituto do tombamento provisório

procedimental precedente

assecuratória da eficácia que este poderá, ao final, produzir."

não é fase do tombamento definitivo. Caracteriza-se como medida

Este precedente recebeu a seguinte ementa:

RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. SERRA DO

GUARARÚ. TOMBAMENTO. DISCUSSÃO QUANTO À PRECEDÊNCIA DO

PROCESSO DE TOMBAMENTO PROVISÓRIO AO DEFINITIVO. INCOERÊNCIA.

1. O instituto do tombamento provisório não é fase procedimental precedente do

tombamento definitivo. Caracteriza-se como medida assecuratória da eficácia que este

poderá, ao final, produzir.

2. A caducidade do tombamento provisório, por excesso de prazo, não prejudica o

definitivo, Inteligência dos arts. 8º, 9º e 10º, do Decreto Lei 25/37.

3. Recurso ordinário desprovido.

Dessa forma, como bem colocado pela relatora do citado precedente, o tombamento

provisório se equipara ao definitivo, conferindo-se-lhe eficácia quanto aos efeitos de restrição e

proteção ao bem tutelado, nos termos preconizados no parágrafo único do art. 10 do Decreto-Lei nº

25/37, norma que trata da proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.

Em estudo específico deste tema, Marcos Paulo de Souza Miranda bem explicita o

aspecto ora focalizado:

O tombamento provisório é um meio célere e eficaz para impedir a

destruição da coisa objeto do processo, uma vez que, para todos os efeitos legais, ele

equivale ao tombamento definitivo, exceto no que tange à averbação no registro de

imóveis. (Instrumentos de Proteção ao Patrimônio Cultural. Belo Horizonte: Del

Rey, 2006, p. 118).

O ato de tombamento, seja ele provisório ou definitivo, tem por finalidade preservar o

bem identificado como de valor cultural, contrapondo-se, inclusive aos interesses da propriedade

privada, não só limitando o exercício dos direitos inerentes ao bem, mas também obrigando o

proprietário às medidas necessárias à sua conservação.

Outro não é o objetivo do tombamento provisório, senão o de resguardar as

características do objeto do processo de declaração de proteção definitiva, conferindo-se todas as

garantias a serem dispensadas ao procedimento definitivo.

Se assim não fosse, o instituto do próprio tombamento estaria fadado a perder a sua

efetividade, pois, ao tomar ciência do propósito do Poder Público, o proprietário do bem protegido

estaria, em tese, autorizado a destruí-lo, afastando o procedimento administrativo de sua primordial

finalidade, que é a preservação do valor cultural tutelado.

Ademais, deve-se considerar que o valor cultural agregado ao bem é anterior ao próprio

tombamento. A diferença é que, não existindo qualquer ato do Poder Público formalizando a

necessidade de protegê-lo, descaberia responsabilizar o particular pela não conservação do

patrimônio. O tombamento provisório, portanto, serve justamente como um reconhecimento

público da valoração inerente ao bem.

Nas palavras de Hugo Nigro Mazzilli:

O tombamento, forma especial de proteção administrativa a bem de valor

cultural, tem caráter meramente declaratório, ou seja, o atributo valor cultural deve

preceder ao tombamento. É porque o bem tem valor cultural que deve ser tombado; o

valor cultural não decorre do tombamento, em sim o inverso é que deve ocorrer. (A

Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. 21. ed. São Paulo: Saraiva, p. 222).

Dessa forma, há que se conferir proteção jurídica ao bem objeto do tombamento desde a

fase do decreto provisório, garantindo-se a eficácia do instituto após concluído todo o processo, por

mais que dure no tempo.

Com efeito, nos termos do art. 17 do Decreto-Lei nº 25/37, as coisas tombadas não

poderão ser destruídas, demolidas ou mutiladas. O descumprimento do aludido preceito legal

enseja, via de regra, o dever de restituir a coisa ao

manifestamente inviável o restabelecimento do bem ao seu formato original, autoriza-se a

conversão da obrigação em perdas e danos.

Sucede que, ao dirimir a querela, o voto condutor do aresto contestado restringiu-se a

professar que "

inscrito no livro próprio do Poder Público competente estabelece a afetação. Sendo assim a mera

publicação do edital de tombamento não basta para a produção dos efeitos do tombamento, que só

status quo ante . Excepcionalmente, sendo o artigo 9º do Decreto-lei nº 25/37 dispõe que somente o ato formal de tombamento

se torna ato perfeito a partir da homologação

Diante do que foi exposto, conclui-se que a tese sufragada pelo Tribunal

da melhor interpretação dos preceitos legais pertinentes. Entretanto, não é possível acolher

integralmente a tese recursal, pois o aresto impugnado não contemplou a análise dos elementos

fáticos necessários para a imediata aplicação do entendimento ora adotado, sobretudo os dados

relativos à data em que a parte adversa promoveu as diversas alterações no imóvel em questão,

circunstância temporal determinante à procedência ou não da ação civil pública ajuizada pelo

IPHAN.

Ressalte-se, por oportuno, que não há se falar em omissão, pois a análise fática

empreendida na origem está congruente com a interpretação jurídica adotada naquela oportunidade.

Também não é o caso de revalorar provas, pois as circunstâncias fáticas aqui destacadas sequer

foram objeto de apreciação pela Corte Regional.

Nesse passo, à reforma da tese estampada no aresto recorrido deve seguir-se a

devolução dos autos ao Tribunal

estipulados, prossiga o exame da apelação do IPHAN e aplique o direito conforme consoante o seu

convencimento à luz do contexto fático-probatório da demanda.

Ante o exposto,

 

" (fls. 401). a quo  destoa a quo  para que, respeitados os parâmetros jurídicos ora dou provimento em parte ao recurso especial.

É como voto.